Automedicação

Por Renata Lima Asaiag
Alergo House (dez/2009)

Os medicamentos servem para aliviar, curar e, paradoxalmente piorar muitas das disfunções e doenças. Tudo depende das condições de sua utilização e reações do organismo. A automedicação, prática de ingerir medicamentos por conta e risco próprio, sem acompanhamento de um profissional da saúde pode agravar os efeitos colaterais dos medicamentos. Para saber mais sobre as reações adversas aos medicamentos Clique aqui.

automedicacao1A prática da automedicação é muito comum na população brasileira. As razões pelas quais as pessoas se automedicam são inúmeras. A propaganda desenfreada e massiva de determinados medicamentos contrasta com as poucas campanhas que tentam esclarecer os perigos da automedicação. A dificuldade e o custo de se conseguir uma opinião médica, o desespero e a angústia desencadeados por sintomas ou pela possibilidade de se adquirir uma doença, informações sobre o medicamento obtido por algum conhecido, na internet ou em outros meios de comunicação, a falta de regulamentação e fiscalização daqueles que vendem e a falta de programas educativos visando os efeitos, muitas vezes irreparáveis da automedicação, são alguns dos motivos que levam as pessoas a utilizarem medicamentos por conta própria.

A automedicação leva a riscos que vão desde reações alérgicas, diarréias, enjoos, tontura até interações medicamentosas. Essas interações podem ocorrer quando medicamentos são administrados concomitantemente podendo um potencializar a ação do outro, ocorrer à perda de efeitos por ações opostas ou ainda a ação de um medicamento alterar a absorção, transformação no organismo ou a excreção do outro fármaco.

Dúvidas frequentes:


O que fazer em caso de reação alérgica a algum medicamento?

Procurar imediatamente o posto de saúde. Não deve ser ingerido nenhum outro medicamento por conta própria.

Como é possível fazer o diagnóstico?

O surgimento de quaisquer sinais de manchas no corpo, placas, coceira e vermelhidão, bolhas juntas ou isoladas devem ser observadas. O ideal é fazer um diagnóstico precoce para a verificação de possíveis reações alérgicas.

Medicamentos fitoterápicos também causam riscos?

É um conceito equivocado achar que um extrato de vegetal, só porque não foi industrializado e está livre de qualquer insumo químico, é tido como sem nenhuma contra indicação. O fitoterápico usado sem uma orientação especializada é um risco de reações indesejadas, e que pode ser evitada com umas simples conversa com um profissional da área de saúde. Muitas vezes, o profissional qualificado mais acessível para muitos é o farmacêutico que é um profissional qualificado para dispensar as especialidades farmacêuticas, não confundir com o balconista.

Medicamentos frequentemente consumidos sem indicação médica e os perigos de seu uso

automedicacao21 – Antiácido: Muito usado para combaterdor de estômago, que pode ser sintoma de úlcera, tumor, pancreatite e até de infarto do miocárdio. O uso inadequado pode retardar o diagnóstico, comprometer o tratamento e expor ao risco de morte.

2 – Antibiótico: Droga usada para tratar várias infecções, como as respiratórias, gripes e abscessos. Mesmo que a pessoa acerte na escolha, ao comprar sem indicação médica, pode errar no tipo e na dosagem, levando ao tratamento errado. Além disso, o indivíduo pode desenvolver resistência à droga e quando for realmente necessária, não terá efeito.

3 – Aspirina: Reconhecida como droga que previne o infarto, só pode ser consumida com indicação médica, mesmo no controle de outras doenças, porque tem efeitos colaterais importantes, podendo provocar problemas de estômago e hemorragias. Pode ser fatal se usada para combater a dengue.

4 – Colírio: Sem indicação médica, a única coisa que se pode passar nos olhos é água limpa. Os colírios têm princípios ativos variados, como corticóides e antibióticos, podem mascarar ou exacerbar doenças e se a pessoa tiver problemas prévios, como glaucoma, pode agravá-los.

5 – Cremes e pomadas: Muitas pessoas cometem o erro de achar que existem cremes e pomadas que tratam tudo, o que está errado porque cada um tem uma indicação adequada. O uso indiscriminado pode mascarar doenças, como câncer de pele, pode provocar dermatite de contato, ou pode não ter efeito.

6 – Laxante: Quando consumido indiscriminadamente pode levar a alterações intestinais. Se a pessoa estiver constipada (intestino preso), complica o quadro e pode levar à perfuração do intestino. Nos idosos, pode provocar desidratação e alterações metabólicas, colocando a vida em risco. Pessoas com tumor intestinal, em geral não diagnosticado, podem agravar a doença.

7 – Remédios naturais: Todos os medicamentos, sem exceção, têm efeitos colaterais e podem provocar riscos à saúde.

8 – Xarope: A tosse pode ter várias causas, como infecção viral ou bacteriana, alergia, refluxo da hérnia de hiato e câncer das vias respiratórias. O xarope pode mascarar o sintoma, permitindo que a doença evolua sem controle, pode piorar o problema ou não ter efeito algum.

9 – Vitaminas: Só devem ser tomadas quando há uma real necessidade até porque algumas, dependendo da dose, podem provocar doenças. A vitamina C, por exemplo, provoca distúrbios gastrointestinais e cálculo renal. A vitamina A, quando consumida por crianças, pode provocar hipertensão craniana.

10 – Suplementos alimentares: Podem ter efeitos tóxicos, ou não fazer nada. Estudos em andamento relacionam os suplementos com o desenvolvimento de arritmias cardíacas e com morte súbita.

11 – Casamento de remédios: Algumas pessoas, ao acharem que estão com gripe, por exemplo, ingerem xarope para a tosse, que piora a secreção pulmonar, descongestionante nasal, que nos casos de sinusite e pneumonia piora o quadro, e injeções à base de eucalipto, absolutamente inúteis. Além disso, tudo junto pode provocar reações alérgicas e até choque anafilático.

A troca da receita médica pela indicação do balconista da drogaria é certamente um mau negócio, bem como aquela iniciativa de automedicar-se. Portanto, pense duas vezes antes de tomar aquele remédio, que possa lhe parecer inofensivo, ou que um amigo, vizinho tenha indicado. Às vezes, sintoma algum aparece (a automedicação pode mascarar diagnósticos na fase inicial da doença), mas complicações podem ocorrer posteriormente e quando isso ocorre é da forma mais inesperada possível.

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