Novalgina gera indenização de 1 milhão por provocar alergia

Fonte: Revista Exame

Após ingerir dois comprimidos, paciente teve 90% do corpo queimado; fabricante Sanofi-Aventis afirma que doença não é ligada a nenhuma causa aparente em até 50% dos casos.

novalgina

São Paulo – Depois de tomar dois comprimidos de Novalgina em 2007, com um intervalo de oito horas entre cada um, Magnólia Almeida teve uma síndrome rara que pode ser desencadeada pelo uso da dipirona sódica, princípio ativo do medicamento. Agora, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou a Sanofi-Aventis, fabricante do remédio, a indenizá-la em 1 milhão de reais.

Na bula, a Sanofi-Aventis lista a ocorrência da síndrome de Stevens-Johnson como uma possível reação adversa do medicamento “em casos isolados”. A doença provoca uma reação alérgica complexa, responsável pelo descolamento da derme e pela formação de bolhas na pele e mucosas, comprometendo boca, olhos e genitais.

Depois de ingerir o medicamento, Magnólia teve 90% do corpo queimado, insuficiência renal e diminuição da capacidade de enxergar. Como resultado, passou por mais de 30 cirurgias, incluindo transplantes de córnea.

No entendimento da Justiça, o alerta na bula não seria suficiente para informar os pacientes de maneira adequada. “Foge à segurança razoável esperada pelo consumidor, que o remédio, de uso tão difundido, venha a causar tão grave moléstia” afirmou o desembargador responsável por revisar o processo.

A sentença saiu depois da Sanofi-Aventis ter questionado a primeira decisão jurídica, que determinou o pagamento de 700.000 reais (a empresa pedia que o valor fosse reduzido para 100.000 reais). Em nota à imprensa, a Sanofi-Aventis informa que irá recorrer mais uma vez.

A companhia sustenta que a síndrome de Stevens-Johnson não é relacionada ao uso de nenhum medicamento ou outra causa aparente em 25% a 50% dos casos. “Presente no mercado há 90 anos, a Novalgina é aprovada pela Anvisa e tem indicação em bula para o tratamento de manifestações dolorosas e febre, sendo há décadas um medicamento de primeira escolha dos profissionais de saúde, tanto para tratamento clínico quanto cirúrgico”, afirmou no comunicado.

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