Maquiagem em crianças, é prejudicial?

“As crianças com menos de 12 anos possuem a pele mais fina e mais delicada que a de um adulto, e por isso mais sensível. “Os cosméticos da mãe ou da irmã mais velha, que muitas vezes contêm ácidos e outros ingredientes agressivos, podem provocar irritações ou reações alérgicas na delicada pele da criança”, afirma Maurício Pupo, especialista em cosmetologia.

post03 02Meninas que imitam as jovens podem desenvolver problemas dermatológicos e se transformar em adultos superficiais, afirmam especialistas. Unhas pintadas, cílios alongados por um rímel, lábios coloridos, pele macia de creme hidratante e cabelos lisos na chapinha. O retrato falado pode remeter facilmente a uma mulher vaidosa, o que seria normal. Esquisito seria uma criança com todas essas características. Esquisito, mas não impossível. Os salões de beleza estão sendo tomados por meninas que, na tentativa de encurtar sua infância, copiam hábitos adultos. “Outro dia eu estava no cabeleireiro e tinha uma menininha de uns oito anos fazendo escova”, diz Nilda Jock, psicanalista e socióloga. Para ela, é natural que meninas queiram usar o sapato de salto da mãe, mas passar a frequentar salões de beleza e spas é um excesso que pode causar dois tipos de danos: físico e social-psicológico.

O dano físico é mais fácil de ser evitado: basta que a criança use cosméticos infantis, aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Os principais produtos infantis são sabonetes em barra e xampus, seguidos por hidratantes”, afirma Maurício Pupo, especialista em cosmetologia. Segundo ele, as crianças com menos de 12 anos possuem a pele mais fina e mais delicada que a de um adulto, e por isso mais sensível. “Os cosméticos da mãe ou da irmã mais velha, que muitas vezes contêm ácidos e outros ingredientes agressivos, podem provocar irritações ou reações alérgicas na delicada pele da criança”, diz. De acordo com a Anvisa, o Brasil é um dos maiores mercados mundiais de cosméticos infantis.

Nos salões, as mães devem ficar atentas aos produtos usados pelos profissionais. Aqueles indicados para crianças devem trazer essa informação na embalagem e o selo de registro, com as iniciais MS, ANVS ou pelo nome Anvisa seguido de um número com 9 ou 13 dígitos, que sempre se inicia com o número 2. Isso significa que o produto obedece regras rígidas e foi testado sob o controle de médicos dermatologistas, o que reduz o risco de surgimento de alergias. “Uma criança que use em excesso maquiagens ou cremes que não sejam especialmente formulados para sua pele pode apresentar um tipo de acne chamada erupção acneiforme ou acne cosmética”, afirma o especialista.

post 03Já o dano social e psicológico é um pouco mais complicado. A psicanalista Nilda acredita que os pais estão desorientados e se sentem desautorizados a barrar os excessos dos filhos, como frequentar salões de beleza e usar cosméticos como se fossem adultos. “Se a minha amiga faz, preciso fazer para me sentir parte do grupo”, é como pensam as crianças. E os pais não conseguem, e nem querem, fazer as vezes de repressores. A psicanalista considera essa vaidade excessiva um reflexo de nossa sociedade. “A juventude é a única época realmente valorizada hoje em dia: as crianças querem ser jovens, entrar rapidamente na adolescência, e os adultos querem ser eternamente jovens. É como se a alegria estivesse só entre os jovens”, diz. Em sua opinião, a juventude perene, a plástica, o lifting e a ideia de que ninguém pode envelhecer acaba por esvaziar a infância das crianças. “Ela está cortando sua própria infância, e os pais acham graça”, afirma Nilda.

Tal comportamento pode resultar em adultos vazios, preocupados muito mais com a estética do que com o mundo à sua volta. “É uma precoupação sem conteúdo. As crianças poderiam prefeitamente estar ligadas a valores, a projetos coletivos, mais voltadas para o mundo e menos individualistas”, diz. “No futuro”, diz ela, “essas crianças – agora adultos – vão se lastimar e ver com pesar a perda da infância, por não ter sabido reconhecer a importância desse momento”.

Referência obtida da Revista Época

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