Crianças com alergia ficam sem leite especial

Fonte: Jornal A Cidade

Cada unidade do produto custa até R$ 180 e Estado diz que não há falta e sim problema no cadastro.

0e8ba9f8-8202-4c36-a0dd-a9a3671d5d57Mães de crianças com alergia a proteínas do leite encontram dificuldades em conseguir um suplemento à base de aminoácidos que serve de alimento para os bebês. O “leite” em pó, é fornecido pela farmácia de alto custo do Hospital das Clínicas e não foi entregue para duas mães.

O Departamento Regional da Saúde diz que não há falta do produto, sendo que os problemas foram causados por falta de renovação do cadastro por parte da família (leia mais abaixo).

Marcela do Nascimento Sanchez é mãe de Daniel, de um ano e dois meses, e conta que já teve o pedido para retirar o leite na farmácia negado por quatro semanas. No período, o filho já perdeu um quilo.

“Meu filho está em um programa para crianças alérgicas, que garante que ele receba o alimento até completar dois anos. Consegui latas por meio de doação e cheguei até a dar o produto vencido há três dias para ele, porque é muito caro para comprar”, explica Marcela. A lata do produto custa até R$ 180 (veja mais abaixo).

Segundo ela, Daniel é extremamente alérgico não só a proteínas do leite, mas alguns legumes também desencadeiam o quadro alérgico. “Por isso, a alimentação dele é basicamente o leite”, afirma.

Ela conta que vai entrar com um processo judicial para ter acesso ao alimento para o filho.

Custo elevado
Aline Queiroz, 23 anos, mãe da Manoela, sete meses, diz que a burocracia atrapalha a retirada do leite. Ela não conseguiu o produto porque o relatório de pedido não estava completo.

“Tenho que esperar de sete a dez dias para saber se vão liberar o leite para minha filha. A cada três meses temos que renovar esse pedido, correndo o risco de ser negado, mas não deveria ser assim, porque como minha filha tem essa alergia, ela teria que receber o leite até os dois anos”, diz.

Ela conta que chegou a gastar quase R$ 3 mil com latas do leite compradas em farmácia.

Outra mãe, que não quis se identificar por medo de encontrar dificuldades para pegar as próximas latas do leite, diz que entregou uma receita médica como pedido de 15 latas, mas só recebeu oito da farmácia do HC há cerca de dez dias. O filho dela tem sete meses e o mesmo problema de alergia a proteínas do leite.

“Não explicaram o porquê de darem menos latas, não falaram nada”, explica.

Saúde diz que não há falta
Procurado pelo A Cidade, o Departamento Regional de Saúde de Ribeirão Preto informou que o leite Neocate não está em falta. Para participar do programa, a família deve renovar seu cadastro na Farmácia de Alto Custo trimestralmente.

Nos dois casos, segundo o departamento, o cadastro não havia sido renovado, pois o processo estava irregular, possivelmente pela falta de alguma documentação.

No caso da criança Daniel, 15 unidades do alimento foram concedidas para os meses de março, abril e maio. A família retirou o processo de cadastro em 28 de junho para regularização e o devolveu ontem e o documento é avaliado.

Para Marcela do Nascimento Sanchez, os alimentos foram retirados para os meses de abril, maio e junho. O processo foi retirado anteontem para regularização e aguarda a devolução para aprovação.

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