Alergias, cânceres e produtos para bebês

Fonte: Blog Buena Leche

BEBE-BANHOVocê gasta alguns bons trocados para dar um belo banho no seu bebê usando um shampoo da marca mais famosa do mundo, a Johnson & Johnson, depois seca-o suavemente, coloca a fralda, uma roupa limpa e então leva-o, com o tradicional cheirinho de bebê”, ao pediatra. Você acredita que um bebê deve estar perfumado e que o shampoo, por ser específico para bebês, protege o pequeno das famosas bactérias da vida, agora super popularizadas como um mal que espreita seu bebê a cada espirro. Faz um tempo que ele apresenta alergias, o pediatra desconfia de todos os alimentos naturais que seu filho come, da banana à maçã, o vilão pode estar na feira ou em alguma coisa que você ingere, já que ele mama no seu peito. Você pode passar meses tentando descobrir a causa, mas é provável que jamais desconfie dos produtos higiênicos que usa no seu filhote. É que você não sabe, porque a propaganda do shampoo J&J não avisa, que o líquido viscoso, colorido e cheiroso, que não arde nos olhos, leva em sua fórmula um conservante que libera formaldeído, substância que pode causar alergias e alguns tipos de câncer.

Um grupo de ativistas da saúde, representados por mais de 150 ONG’S, incluindo a Ação pela Água Limpa, o Fundo para o Câncer de Mama e a Amigos da Terra, juntaram-se à Campanha por Cosméticos Seguros e pedem, desde a última terça-feira, um boicote aos shampoos que usam conservantes liberadores de formaldeídos. Desde 2009 que a Campanha por Cosméticos Seguros apontou o uso do quartenium-15 na linha de shampoos para bebês vendida nos Estados Unidos e em outros países onde a multinacional comercializa seus produtos.

A J&J garante que desde 2009 está empenhada em diminuir o uso do quartenium-15 e também do 1,4-dioxane, outro carcinogênico utilizado em produtos para higiene de bebês.

Em países como Japão, Holanda, África do Sul e Reino Unido, os shampoos para bebês da J&J já estariam livres das substâncias nocivas. Segundo a empresa, em nota divulgada pela Reuters, “sabemos que alguns consumidores estão preocupados com o formaldeído e estamos eliminando gradualmente esses tipos de conservantes em nossos produtos para bebês no mundo, mas ainda não é possível prever quando todos os produtos estarão totalmente livres de fomaldeídos”.

O Departamento de Saúde dos EUA afirma que o formaldeído é sabidamente cancerígeno, mas que é difícil evitar a exposição a ele, pois a substância é muito usada em diversos produtos e traços dela podem ser encontrados no ar e especialmente dentro de casa. A exposição constante aumenta o risco de reações alérgicas, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA. O assunto, em voga desde 2009, continua sem um ponto final.

Ficaria bastante difícil entender porque a empresa não corta a compra e o uso desses produtos a fim de proteger ou ao menos deixar de expor os bebês do mundo inteiro a um agente sabidamente cancerígeno e alergênico, se não fosse tão claro o motivo: comercial. Um mercado que gira bilhões de dólares, só cresce e nada pode perder para investir em prevenção de patologias invisíveis, as chamadas doenças da civilização, que vão de alergias e síndromes a cânceres.

Os acordos internacionais para uso de pesticidas em comidas e outros produtos químicos como corantes e conservantes em alimentos e cosméticos constituem um jogo muito duro; as empresas são “obrigadas” a utilizar, é uma questão de relacionamento, de licenciamento, de tal forma que a compra de aditivos faz parte do complexo quadro comercial que cerca os movimentos das empresas.

É mais fácil derrubar a fabriqueta de shampoos e sabonetes naturebas da esquina porque foi encontrado um resto de pum numa embalagem, do que retirar de uma tacada um conservante cancerígeno que está firme no business industrial.

desfraldarO argumento de que estamos envoltos por um nuvem de formaldeídos e que dificilmente se pode vincular uma alergia ou um câncer infantil ao uso de um simples shampoo para bebês, só protege o cartel. Mais nos valeria saber que produtos são esses e boicotá-los todos, mas para isso deveríamos desenvolver uma consciência ativa de nossa vida econômico-social e ambiental maior, afinal a água dos banhos de nossos bebês vai parar nos rios e dos rios vem a água que nós todos bebemos. Sempre lembrando que cloro e sulfato de alumínio não limpam formaldeídos. A cadeia é simples, fácil de entender, mas difícil é praticar um viver com o requinte de inteligência e esperteza à altura dos perversos comandos do mercado. Teríamos que aprender a boicotar as grandes marcas e garimpar marcas mais limpas de fato, que são raras, têm puns largamente divulgados, não são protegidas pelos cartéis, não contam com um bom marketing, não são bons anunciantes e assim não vingam na mídia.

É sabido de todos que o marketing, ainda que afirme inverdades, faz a cabeça das pessoas. Apelos sobre praticidade, eficiência, luxo e bem-estar somados à necessidade humana de sentir-se adequada, rezando a missa da maioria, levam bilhões de pessoas de vários continentes e com culturas absolutamente diferentes a desenvolverem comportamentos de consumo idênticos.

É o caso das fraldas descartáveis, um dos maiores nichos econômicos da indústria que explora o consumidor-bebê no mundo inteiro. Elas não vazam, quanto menos vazam mais abafam o xixi e as fezes do bebê porque vêm com perfume, géis incríveis importados da indústria química, e camadas de plástico. Para a saúde do bebê e para o desfralde são péssimas, mas como são baratas! Alguém aí já se perguntou como uma fralda descartável pode ter o custo baixo que tem? Muito curioso que o maior argumento das mulheres que usam fraldas descartáveis em seus bebês é que elas são práticas, não necessitam ser lavadas. Incrível, num mundo repleto de máquinas de lavar e secar, esse argumento ainda valer alguma coisa. Na Inglaterra, país de baixa insolação, existe um serviço de lavagem e entrega de fraldas de pano a domicílio; no Brasil temos um pequeno movimento ainda, pelo menos na contracultura se multiplicam as usuárias e costureiras de fraldas de pano lisas ou estampadas que não machucam o bebê, são fáceis de lavar e ajudam muito na hora do desfralde, já que para desfraldar o bebê precisa se sentir molhado, entrar em contato com os efeitos dos atos que são involuntários no início da vida deles, mas tornam-se voluntários conforme crescem e percebem-se molhados.

O cheiro, a falta, a cor e o excesso de urina, por exemplo, sempre foram pistas sábias para a mãe ou a pessoa que cuida do bebê identificar alguma doença, algum início de desidratação e as fraldas de pano sempre foram fiéis companheiras. Os benefícios do uso de fraldas de pano não se encerram na economia doméstica e ambiental. Não há evidências de que os géis e demais produtos utilizados nas fraldas descartáveis são totalmente inócuos, os perfumes causam alergias e atrapalham o olfato do bebê em desenvolvimento. Já as fraldas de pano, por mais seguras contra vazamentos, não lacram o contato entre o corpo do bebê e nosso olfato, a troca fica vinculada às necessidades do bebê e a sensação dele de estar molhado é um incentivo ao desfraldamento natural.

Hoje existe uma verdadeira legião de mulheres tentando desfraldar crianças de 4, 5 anos, literalmente entre tapas e beijos, apenas porque as crianças só puderam sentir o prazer de estarem sempre sequinhas. A fralda descartável é uma das maiores burrices culturais e ambientais que fabricamos e apoiamos. Leva de 200 a 500 anos para se decompor na natureza e mistura dois lixos que não deveriam ser misturados: o pior do orgânico com o pior do químico. Como separar isso?

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